Aprender a aprender

Aprender a aprender. Esse foi o tema que me levou a uma investigação que não imaginava entrar neste momento. Para apresentar e divulgar o novo projeto da Wish, pensamos em elaborar uma mini-trilha de aprendizado sobre "aprender a aprender". Montei uma versão e achei que estava rasa, que não estava funcionando muito bem. Foi aí que percebi que eu tinha muitos conceitos sobre o aprendizado, mas nunca tinha estruturado o meu próprio aprendizado autônomo, nunca tinha ido mais fundo nesse assunto e talvez isso estivesse influenciando na produção da mini-trilha.


Refleti sobre o meu aprendizado e percebi que já aprendi muitas coisas sozinha, principalmente depois que comecei a dar aula. Cada aventura que as crianças me propunham era repleta de novos aprendizados, desde fazer crochê até entender sobre educação democrática. Mas não sabia de onde tinha tirado as informações que eu conhecia. Muito desse aprendizado veio da leitura de livros, mas as anotações ficaram nos próprios livros e, passada a época da leitura, tenho a sensação de que os conhecimentos se perdiam.


Achei, então, que precisava passar por uma investigação mais profunda sobre self-directed learning e que isso poderia me ajudar tanto na construção da trilha para a Wish quanto para organizar o meu próprio conhecimento.

Comecei a participar de um programa de self-directed learning criado por Blake Boles em que ele manda um desafio para ser realizado por dia. Como parte do programa, comecei a reler o livro "The Art of self-directed learning", escrito pelo próprio Blake Boles que traz histórias incríveis para ilustrar a aprendizagem auto-dirigida.


Uma das coisas mais interessantes que aprendi nesses primeiros dias foi como nós precisamos de estímulos externos para nos motivarmos a cumprir um objetivo. Por mais interno e pessoal que seja o objetivo, ter algo ou alguém com que você se comprometa tende a te ajudar a conseguir realizá-lo.


Como parte do programa, precisei fazer um contrato de compromisso dizendo qual era o meu objetivo. Existe um site para fazer isso (que achei demais) onde você tem a opção de colocar dinheiro como forma de garantia do cumprimento do seu objetivo. Você pode escolher doar o dinheiro para uma "anti-charity", para "charity" ou até para um amigo. Se você cumprir o objetivo que você mesmo estipulou, o dinheiro retorna para você. Mas, se por algum motivo, você não conseguir cumprir o objetivo, seu dinheiro é redirecionado para a opção escolhida por você. Segundo Boles, uma das coisas que o humano mais detesta é perder dinheiro, por isso apostar esse dinheiro em você mesmo pode reforçar as chances de cumprir o seu objetivo.

Além disso, ter uma rede de apoio com pessoas de confiança também é essencial. Outro desafio foi contar para algumas pessoas selecionadas quais eram os 4 ou 5 objetivos finalistas que eu havia selecionado. Ouvir o que essas pessoas que eu escolhi tinham para me dizer sobre as opções que eu tinha levantado me ajudou a perceber os truques que a mente nos coloca (também apontado por Blake). Entre os 4 objetivos que eu tinha selecionado, dois eram tarefas que eu teria de fazer de um jeito ou de outro, portanto talvez não fossem as melhores opções para ter como objetivo desse programa.


Já li em alguns lugares que o ser humano é um aprendiz por natureza. Desde que nascemos, observamos o mundo à nossa volta e com isso aprendemos. Aprendemos a falar, a andar, a comer, a chorar para nos comunicar e tudo isso ainda bebês. Pelo resto das nossas vidas o aprendizado segue latente, mas de alguma maneira, a partir dos 5 anos de idade já começamos a achar que aprender está diretamente relacionado ao mundo da escola (aprender a ler, aprender a escrever, aprender matemática, e por aí vai).


Mas quais são as coisas que continuamos aprendendo além da escola (ou às vezes até apesar da escola)? E se aprender o tempo todo é tão natural do ser humano, por que acabamos tendo que reaprender a aprender?


Marina Gadioli

Sócia-diretora, multi-tarefas e correspondente internacional


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