Minhas aulas do mestrado começaram e...

Na última semana fiquei meio monotemática (e talvez continue assim por um tempo). Qualquer coisa que ia comentar sobre qualquer assunto, começava dizendo: "Então, minhas aulas do mestrado começaram e...".


Pois é, minhas aulas do mestrado começaram e… eu tive uma semana de pânico. Vou explicar.

Desde que comecei a trabalhar na Wish e mergulhei na investigação da educação alternativa, passei a ter muita dificuldade de seguir cursos em instituições mais tradicionais. Às vezes eram até instituições com fama de menos tradicionais, mas que ainda se mantinham em alguns moldes e, para mim, não fazia sentido, não chegava onde eu precisava e eu pegava bode do curso. Isso foi um dos fatores que me levou a buscar um mestrado. Imaginei que o fato de eu poder escolher meu tema de pesquisa me ajudaria nessa profundidade e teria mais sentido.

Acontece que quando transcendemos o formato da educação, não é só a forma de trabalhar o conteúdo que muda. Tudo muda! O jeito que passamos a nos relacionar com as pessoas, o jeito como vemos o conhecimento, como consideramos o tempo, como validamos algum acontecimento, o espaço em que nos colocamos. Uma instituição de ensino já vem imbuída de muitos sentidos que extrapolam o conceito de conteúdo: a relação entre professor-aluno, a forma como se ensina, o espaço e como ele é organizado.


Então, quando minhas aulas começaram, parece que esses dois universos se colidiram dentro de mim. Aquele que eu vivo e acredito através da Wish e aquele que eu já vivi na minha história como estudante e que está mais enraizado no (in)consciente coletivo, na concepção de educação.


Recebi as descrições das matérias uma semana antes das aulas começarem, já com uma série de leituras para serem feitas para o primeiro encontro. Eu, que sempre fui nerd, logo me agilizei para encontrar os textos e começar a ler. E foi nesse momento que o inconsciente coletivo tomou conta. Normalmente já sou bastante exigente comigo mesma; então, foi só um passinho para isso virar uma cobrança gigante, um loop de pensamento: "preciso fazer tudo o que os professores estão pedindo para ser a melhor aluna, conseguir notas altas que definirão o meu futuro."


Mas espera um pouco. Não é que já se sabe que notas altas, sucesso e felicidade não estão diretamente relacionados? Eu pratico, vivo e argumento essa outra perspectiva no meu trabalho. Me considero bem sucedida nele, inclusive porque eu percorri um caminho nem um pouco linear. Então por que é que eu estou entrando em pânico agora e por essas razões?

[Respira no saco de pão.]


Resolvi, então, escrever para a professora da matéria de metodologia de pesquisa (essa era a matéria que estava me causando mais pânico) dizendo da minha angústia e a resposta dela não poderia ter sido mais condizente com tudo o que acredito de educação. Ela me respondeu exatamente como eu já respondi algumas crianças em momentos de ansiedade parecidos: não se compare com os outros, siga o seu caminho de aprendizado. Pode ser assustador para quem está chegando agora, mas novos conhecimentos abrem caminho para novos mundos. Em vez de querer dominar o conhecimento de uma vez, aprecie-o.




Uau. Nem acreditei quando eu vi a resposta. A maior universidade do Canadá adotando práticas que reforçam, fomentam e concretizam esse mundo mais Wish! Me senti realizada e feliz de ver tudo o que fazemos ser também considerado em uma instituição de ensino superior.


Alguns outros fatores que tem contribuído para essa minha visão positiva da universidade e que estão alinhados com o que praticamos na Wish:

→ Só existe uma matéria obrigatória para o meu curso, todas as outras sou eu que escolho;
→ Um dos trabalhos pedido em uma matéria pode ser entregue em qualquer linguagem (texto, música, desenho, vídeo, etc);
→ O trabalho final de outra matéria é um artigo escrito, mas é sobre a minha experiência pessoal, sobre um assunto que eu queira falar e não precisa ter referências bibliográficas.

Sim, a Wish ainda está além. Ainda acho que outros paradigmas podem ser quebrados no ensino superior, mas reconhecer que algumas mudanças profundas estão acontecendo em instituições que são reconhecidas por sua excelência e atuação no paradigma atual já nos dá uma luz de esperança.


Rumo ao mundo mais Wish!


Marina Gadioli

Sócia-diretora, multi-tarefas e correspondente internacional


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