O que ninguém te disse sobre diplomas

Como mostrar seu valor sem depender de certificados? Na última semana, iniciei uma conversa nas redes a partir dessa pergunta. E eu fiz isso porque eu sei que muita gente tem valor, mas não tem certificado. Junto com solidão e disciplina, a certificação é um dos principais dilemas do aprendiz autodirigido. Por um lado, você sabe que o que aprendeu por conta própria com pesquisas, projetos reais e interações é muito valioso. Você se orgulha dessa vivência e sabe que nenhum curso com provas e conteúdos obrigatórios te daria isso. Ao mesmo tempo, você fica com medo. Medo de não ser reconhecido ou valorizado. Medo de ser preterido na entrevista de emprego por conta do seu trajeto não convencional. Medo de não conseguir ter uma vida estável financeiramente. Medo de não ser alguém legítimo na sociedade. Eu vivi isso e, de algum modo, ainda vivo. Em 2013, decidi que queria pesquisar novas formas de aprendizagem de adultos. Eu estava fascinado pelo tema e disposto a fazer uma investigação ampla e profunda. Só que, sabe como é, eu queria fazer do meu jeito… E meu jeito não se enquadrava no molde acadêmico. Abandonei meu projeto formatado segundo a ABNT (que está no meu computador até hoje) e resolvi fazer uma campanha de financiamento coletivo. 158 pessoas acreditaram em mim e me forneceram combustível para que eu acreditasse em mim mesmo. De lá pra cá, meu aprendizado seguiu a tríade pesquisas, projetos e interações. Escrevi livros, empreendi na prática e conheci muita gente inspiradora. E sou absolutamente grato por toda essa jornada. Tendo feito isso, obtive algum sucesso (o que não significa ficar rico ou famoso e sim encontrar equilíbrio, comunidade e propósito). Mas preciso reconhecer que esse sucesso também tem a ver com meus privilégios: branco, classe média, cis, heterossexual, facilidade em escrever e falar em público, dentre outros. O fato é que a escolarização a que fomos submetidos sustenta que, se não temos um diploma, nosso aprendizado não pode ser levado a sério. E o pior é quando isso nos faz acreditar que nosso SER também não deve ser levado a sério. Será que essa realidade está mudando? Será que é possível mostrar nosso valor sem depender de certificados? Recentemente, Elon Musk disse que não se importa em contratar pessoas sem diploma, desde que consigam demonstrar um sólido conhecimento nas áreas em que vão trabalhar. Laszlo Bock, ex-diretor de gestão de pessoas no Google, amplia a perspectiva de Musk ao afirmar que quando contratamos pessoas que não fizeram faculdade (e nós temos um bom número delas), o que realmente queremos perguntar na seleção é como elas solucionam problemas, como lideram, como trabalham com membros de uma equipe, se elas estão abertas para aprender e se trazem algo novo e diversificado em termos de visão e experiência de vida. Talvez a gente esteja recuperando uma forma mais natural de reconhecer o que é bom. Como Augusto de Franco diz, a árvore vai sendo reconhecida pela qualidade de seus frutos, e não por um certificado emitido pela corporação dos botânicos. Já chegamos lá? Ainda não. Mas estamos caminhando a passos largos. E o mais importante: nós temos um papel nessa mudança. Vamos deixar de fazer cursos e abandonar os certificados? Claro que não. O que nós vamos fazer é criar formas alternativas e poderosas de mostrar nosso valor. Estratégias práticas para evidenciar resultados, aprendizados e habilidades. Mas isso é assunto do próximo texto (não quero estragar a surpresa). E não pense que você está a salvo se você coleciona diplomas na parede. Você também vai precisar dessas estratégias alternativas porque em algum momento elas se tornarão a regra. E, mesmo agora, você já pode se beneficiar delas. Tem uma frase no livro de Core Skills (que lançarei muito em breve) que diz assim: "o valor de um trabalho inconfundível faz a competição se tornar irrelevante". A frase não é minha, é do Jeff Goins, mas eu acredito nela. Embora ainda exista muita competição no mundo, nosso maior desejo é expressar autenticidade. E sermos aceitos por isso, não apesar disso. Até breve! P.S. 1: já quero adiantar uma das dicas práticas que darei no próximo e-mail. Se você tem um Instagram, você pode usar o Linktree para criar um miniportfólio a partir do link da sua bio. É simples, rápido e você garante mais visualizações em links relevantes sobre seus trabalhos e aprendizados. P.S. 2: quais dicas você daria para quem quer mostrar seu valor sem depender de certificados? Te convido pra compartilhar suas ideias nos posts que escrevi no Instagram, Facebook e LinkedIn. Eles serão a base do meu próximo e-mail. Corre lá!


Alex Bretas

Entusiasta da aprendizagem autodirigida

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