Os detalhes que estão por trás das escolhas que fazemos para as nossas práticas cotidianas:

MATEMÁTICA:

MATH REVOLUTION

 

A educação é uma ciência e como tal está sempre se desenvolvendo; novas teorias, estudos e aprimoramentos permitem que possamos olhar e ouvir as crianças incluindo-as cada vez mais no próprio processo de aprendizagem

 

Também a matemática e a forma como podemos apresentá-la às crianças vem sendo objeto de estudo e novas teorias, teorias mais antenadas às demandas modernas e à forma como as pessoas aprendem, surgiram.

 

Entre esses estudos, uma iniciativa chamou nossa atenção e, há 2 anos, temos nos debruçado sobre ela, estudando o material produzido, participando de cursos e palestras e trabalhando com os novos formatos em formações de equipe e com as crianças. Esses estudos são capitaneados pela Universidade de Stanford, nos EUA, por duas grandes pesquisadoras: Jo Bowler e Carol Dweck. As propostas de mudança nas premissas e na metodologia do ensino da matemática que elas propõem vêm sendo aplicadas com excelentes e surpreendentes resultados como vocês podem conferir no vídeo.

 

https://player.vimeo.com/video/265191783

A maior mudança é um aumento significativo na participação e entendimento das crianças nas propostas de matemática. 

 

Carol Dweck é a autora do livro "Mentalidade de Crescimento". De acordo com sua pesquisa, ela afirma que o sucesso no aprendizado está muito mais relacionado à atitude frente à dificuldade e ao desafio do que a qualquer condição cognitiva inata ou prévia. Isso em qualquer área do conhecimento. Jo Boaler se baseia nas ideias de Dweck para promover a máxima de que matemática é para todos e que precisamos modificar a forma como encaramos essa relação com a disciplina e as competências necessárias para dominá-la. Um exemplo ótimo de uma coisa que a maioria de nós acredita e que ela rebate é a ideia de que para ser bom em matemática a pessoa precisa ser rápida ou acertar sempre. A lógica que ela traz (e que nós assinamos embaixo) é que a liberdade para pensar matemática faz com que as crianças sigam aperfeiçoando suas hipóteses. Discutir a maneira como pensam as diferentes formas de se chegar a um resultado, vivenciar a liberdade para cometer erros, explorar, descobrir, fazer perguntas e ser criativo fazem com que as crianças se desenvolvam e se percebam nesse crescimento. 

 

Os quatro pilares dessa abordagem são:

1) Qualquer pessoa é matemática;

2) Erros são sinal de que a pessoa pode crescer;

3) A velocidade não é tão importante quanto o pensamento cuidadoso;

4) A compreensão é mais relevante do que a memorização. 

(texto na íntegra: https://mentalidadesmatematicas.org.br/2020/10/07/webinar-debate-abordagem-mentalidades-matematicas-com-pesquisadores-e-professores/)

Nós, aqui na Wish, mantemos nosso compromisso com a inovação, com a busca de novas e melhores teorias e práticas que possam auxiliar nossas crianças na construção de uma vida melhor e mais cheia de significado. 

 

Para saber mais: 

site oficial: https://www.youcubed.org/pt-br/

vídeo sobre mentalidades matemáticas (Sing): https://www.youtube.com/watch?v=xoY_DsW37wM&feature=youtu.be

 

Sabemos que essa forma de enxergar a matemática é muito diferente daquela que nós adultos vivenciamos na escola. Por isso, se tiver dúvidas ou até mesmo curiosidade de saber mais, estamos por aqui!!!

STUDENT-LED CONFERENCES

Numa era em que a demanda por um modelo educacional centrado no estudante é cada vez maior, um dos grandes obstáculos para transformar aprendizes em protagonistas das suas trajetórias de aprendizado é a falta de apropriação em relação ao que aprendem, à forma como aprendem e de como atingem seus objetivos. 

Na Wish, honrar essa posição do estudante como protagonista do seu percurso é uma de nossas principais missões. Sendo assim, queremos propor mais um passo nessa direção.

 

 

O que estamos aprontando dessa vez?

 

Student-led conferences (conferências entre estudantes e seus responsáveis) são encontros em que os próprios estudantes relatam suas experiências de aprendizado para suas famílias. Esses encontros fecham um ciclo de uma lógica de projeto pedagógico em que a educação é feita PELO estudante e não PARA o estudante. 

Quando um estudante assume a responsabilidade de falar sobre o que ele está explorando, descrever as competências e habilidades que estão sendo desenvolvidas na escola, explicar seus objetivos e reconhecer os desafios que precisa enfrentar para atingi-los, ele precisa traçar metas e entender sua trajetória acadêmica com profundidade. 

Isso já acontece em todos os âmbitos da relação das crianças com seus pares e com adultos da escola. Entendemos que é hora de essa ideia se estender, ainda mais, às famílias.

Ao liderar as conferências com seus familiares, o estudante assume uma postura ativa frente ao seu processo de aprendizagem e sente-se genuinamente responsável por suas escolhas e pelo desfecho de suas conquistas acadêmicas. Dentre inúmeras evidências em favor deste formato de conferências BORBA e OLVERA (2001) destacam o protagonismo, o engajamento e a motivação dos alunos em relação ao seu processo de aprendizagem.

 

Para quem tiver curiosidade e quiser explorar mais:

 

BACICH, Lilian; MORAN, José (Org.). Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2018. 238 p.

 

BERGER, Ron; RUGEN, Leah; WOODFIN, Libby. Leaders of their own learning: transforming schools through student-engaged assessment. 2. ed. San Francisco, Ca: Jossey-Bass, 2014. 363 p.

 

BORBA, John; OLVERA, Cherise. Student-Led Parent-Teacher Conferences in The

Clearing House: A Journal of Educational Strategies, Issues and Ideas. 74:6, 333-336

AVALIAÇÃO

A educação é uma ciência e, como tal, está sempre se desenvolvendo. Novas teorias, estudos e aprimoramentos demonstram a importância de olhar e ouvir as crianças, incluindo-as cada vez mais no próprio processo de aprendizagem. Da mesma maneira,  a avaliação e a forma como a entendemos no contexto escolar formal vêm sendo objeto de estudo e novas teorias, mais conectadas às demandas contemporâneas, surgem de maneira a demonstrar os reais objetivos da avaliação dos saberes tais como eles se apresentam para nós no século 21.

A linha pedagógica que acreditamos, nos brinda com o que é chamado de avaliação formativa. Esse tipo de avaliação pressupõe que o aprendizado é um processo contínuo, nunca chegando ao seu fim e, por isso, avaliar é uma ferramenta que alimenta o próprio aprendizado, nos oferecendo a chance de melhorar, de conhecer nossas forças e fraquezas e entender qual é a melhor maneira de atuar diante dos diversos desafios que temos. Essa ideia é bastante diferente do que a maioria de nós vivenciou em nossas vidas escolares, que mais se aproxima de um juízo final, um julgamento que diz se você é bom ou mau, mas que não sugere nenhuma saída.

Ao fazermos avaliação a partir dessa premissa formativa, as perguntas que devem nos nortear são O QUE avaliar (conteúdo); COMO avaliar (forma); PARA QUE avaliar (intencionalidade). Para quem tiver curiosidade de entender melhor essas três categorias, esse vídeo  trata do assunto (41'30'' a 53'10''). Pensando nessas três perguntas, vamos analisar o que elas significam para o nosso contexto na Wish.

 

O QUE? 

Nossa necessidade de avaliação, diferente dos antigos formatos que apenas avaliam a memorização de conteúdos, pressupõe avaliação de todas as frentes ligadas aos 5 eixos do Mapa Holístico. Avaliamos não só a matemática ou a competência para escrever textos, mas também a resiliência, a capacidade de se autogerir, a habilidade de trabalho em grupo, etc.

 

COMO? 

Quando falamos em avaliação, o que vem na cabeça de 90% das pessoas é PROVA (herança do formato de educação que tivemos). Prova é sim um instrumento de avaliação. Mas é UM instrumento entre os vários que existem. UM instrumento que é considerado cada vez mais limitado, capaz de testar apenas de maneira massificada e somente a partir de questões muito genéricas e objetivas. Há muitas outras maneiras de avaliar o desenvolvimento de um estudante que levam em consideração o processo da aprendizagem e o seu percurso. Abaixo é possível visualizar alguns dos instrumentos de avaliação utilizados na Wish e uma breve descrição deles.

  • Tutoria

A tutoria é um encontro individual entre um educador (tutor) e um estudante. Durante o ano, cada criança tem um tutor que a acompanhará nestes momentos e terá um olhar especial para o seu aprendizado. Algumas vezes por semestre, o tutor e o estudante se reúnem para refletir e analisar o período que se passou até então, quais foram os desafios, as conquistas e os aprendizados daquele momento. Neste momento, eles também estabelecem metas para o próximo período, até a próxima reunião.

Após o encontro, o tutor produz um relatório descrevendo o que foi discutido e apontando as reflexões feitas durante a reunião de tutoria. Este relato será colocado no portfólio do estudante para ser compartilhado com pais e familiares.

  • Autoavaliação

Partindo da concepção de criança como protagonista do seu processo de aprendizagem, não podemos deixá-la de fora quando o assunto é avaliação. Na Wish, as crianças têm a oportunidade de olhar para as próprias questões, sejam elas de caráter cognitivo (conteúdos), emocional ou atitudinal (competências/soft skills), e refletir sobre elas. Ao se autoavaliarem, as crianças têm a chance de se conhecer melhor, de perceber como aprendem, onde têm mais dificuldades, onde podem ajudar os outros e onde precisam de ajuda, tornando-se, assim, co-responsáveis pelo seu desenvolvimento. 

Os tutores auxiliam nesse processo de diferentes maneiras, de acordo com a maturidade de cada estudante nesse percurso de autoconhecimento: podem elaborar perguntas, conversas, formulários ou atividades de autoavaliação de competências e/ou de conteúdos que os ajudem a provocar, organizar e até mesmo registrar essas reflexões e esses aprendizados. 

  • Portfolio

O portfólio é uma ferramenta que reúne evidências do processo de aprendizagem, das conquistas e dos sucessos de cada estudante. Ele possibilita à equipe docente retomar as questões que mais importam com e para cada criança; ajuda a criança a se autoavaliar e a enxergar forças e desafios, e também informa pais e familiares dos avanços e necessidades dessa criança num espectro muito mais amplo do que uma lista de letras e números em um boletim.

Esse documento é o que vai nos dizer, muito mais do que qualquer teste padronizado poderia, a respeito de uma criança e de como individualizar nossas intervenções. Queremos, com ele, dar visibilidade a como as crianças pensam e se expressam, o que produzem e inventam, como brincam, jogam e discutem hipóteses, quais linguagens lhes são mais próximas, como sua lógica funciona. Queremos fortalecer a ideia de que os estudantes possuem talentos únicos a compartilhar com o mundo e que damos muito valor a eles.

O portfólio reúne todos os outros instrumentos de avaliação que utilizamos:  relatos de tutoria, autoavaliações, etc., pois todas essas ferramentas se complementam e formam, juntas, a avaliação que realizamos na Wish.

  • On going (revisões, correções, observações)

Para que esses instrumentos tomem forma, os educadores estão observando os estudantes a todo momento, em suas interações durante os projetos, durante as refeições, durante os momentos livres. As atividades produzidas, as correções e o envolvimento de cada criança com esses momentos também são fonte de informações que os educadores levam para a reunião de tutoria para discutir e refletir com as crianças.

É importante mencionar que esses dispositivos e formatos são adaptados de acordo com cada faixa etária. Portfólios e Tutorias acontecem desde as turmas de Toddler (2 e 3 anos) até o Ensino Médio, com dinâmicas adaptadas de acordo com cada turma. Porém, o processo contínuo de reflexão está presente em todos os momentos.

 

PARA QUE? 

O objetivo real de uma avaliação (e que é praticamente oposto ao que estamos habituados a testemunhar nas escolas) é dar ao estudante uma fotografia do momento presente, oferecer para ele um espelho, uma possibilidade de se olhar, de se perceber nas suas fraquezas e potências e de ajustar a rota na direção do que melhor vai ajudá-lo a se desenvolver. Vista dessa maneira, a avaliação tem como principal intencionalidade a qualificação. A avaliação que vemos praticada na maioria das escolas e a qual fomos expostos em nosso percurso como estudantes apenas se presta a excluir aqueles que não se enquadram em uma determinada norma. Avaliar a partir do olhar de qualificação de um processo vivenciado permite que tanto os estudantes quanto os educadores ganhem a capacidade de intervir e se adaptar. Assim, a avaliação orienta e não rotula.

Considerando as questões que propusemos acima, vamos transpor essas ideias para uma situação bastante prática. Imagine que você acabou de lavar a louça e alguém vem "avaliar" seu trabalho. Quais seriam os possíveis cenários:

  • Alguém chega depois que você terminou e diz: não está bom. Você não sabe lavar louça. Isso te ajuda na próxima vez que você for lavar louça? Isso ajuda essa louça a terminar mais bem lavada? 

  • Alguém te acompanha durante o processo e, de vez em quando, faz uma observação: se você lavar a bucha, a gordura sai mais fácil. Veja como o copo virado para baixo seca melhor. E assim, você segue, ajustando sua forma de lavar a louça. Você acha que terminará essa louça com mais ou menos habilidade para lavar uma próxima? Você acha que essa louça terá uma qualidade melhor ou pior que a do exemplo anterior?

Por fim, gostaríamos de reafirmar que, aqui na Wish, mantemos nosso compromisso com a inovação, com a busca de novas e melhores teorias e práticas que possam auxiliar nossas crianças na construção de uma vida melhor e mais cheia de significado. Sabemos que essa forma de enxergar a avaliação é muito diferente daquela que nós adultos vivenciamos na escola. Por isso, se tiver dúvidas ou até mesmo curiosidade de saber mais, estamos por aqui!!!

 

Para saber mais: 

Webinar com Celso Vasconcellos - Avaliação: antes, durante e após a pandemia

PROJETOS

Você sabia que nós aprendemos melhor quando estamos envolvidos com um assunto de nosso interesse? Para que a aprendizagem seja significativa é preciso que ela tenha algum vínculo com o sujeito aprendente: um problema a ser resolvido, uma curiosidade, uma necessidade para um fim específico - interesse no sentido amplo da palavra. Desde 1902, John Dewey, um importante pensador sobre educação, diz que conteúdos nunca podem ser "inseridos" no estudante através de uma força externa (porque alguém decidiu que aquilo era importante). O aprendizado acontece a partir de uma força interna e ativa.

Assim, na Wish, prezamos para que o aprendizado esteja em conexão com a força interna de cada estudante e um dos recursos que temos para isso são os Projetos. Os projetos são um elemento chave do nosso Plano de Aprendizagem Pessoal (PAP), são a base da nossa rotina. 

 

 "If the teacher can make connections between subject matter and student interests, the student will often respond by engaging with the subject matter more directly." (Miller, 1988, p. 192)

 

O ponto de partida de um projeto é o interesse dos estudantes. Quando o ano letivo começa, os tutores, além de engajar a turma em propostas para que se conheçam e se formem como grupo, oferecem uma variedade de provocações: leituras, discussões, vídeos, experiências. Essas provocações servem para que os estudantes possam interagir com diferentes temas e informam os tutores sobre os interesses daquele grupo, até que encontrem algo que queiram pesquisar e aprofundar.

Com o tema escolhido, os educadores (tutores e especialistas) passam, então, a conectar o tema do projeto com os conteúdos previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a explorar diversas habilidades e competências necessárias para o desenvolvimento dos estudantes. Isso não significa que a exploração e as experiências acabaram. Aulas expositivas acontecem quando necessárias; porém, é a exploração ativa dos estudantes que é o formato dominante. Jogos, entrevistas, visitas de especialistas (de dentro e de fora da escola), visitas a locais que sejam importantes para o projeto (pré-COVID), vivências, explorações artísticas, são alguns dos formatos utilizados pelos educadores para aprofundar os temas escolhidos para o Projeto e os conteúdos ligados a eles.

É importante dizer que, além de os estudantes liderarem a escolha do tema do projeto, todo o desenrolar também acontece a partir do diálogo com o grupo. Quando o tema do projeto é escolhido, levantam-se diversas hipóteses e expectativas, mas é a partir de cada proposta, cada interação com o grupo, que esse projeto vai tomando forma. A imagem abaixo ilustra um pouco a ideia desse caminho:

O ciclo acima é percorrido diversas vezes durante o projeto e muitas oportunidades de refazer, retomar, ajustar a rota são oferecidas. Refletir sobre o projeto enquanto ele se desenvolve é essencial para que a aprendizagem seja significativa e os caminhos façam sentido para todos os envolvidos.

 

De maneira geral identificamos que os projetos podem ser de três tipos:

  1. Responder perguntas

Esse é o tipo de projeto que surge quando os estudantes têm muitas perguntas acerca de um tema específico. Como um Projeto de Pesquisa, o objetivo será responder às perguntas através de pesquisas, conversas com especialistas, debates, discussões e  levantamento de conhecimentos prévios e hipóteses. 

  1. Resolver um problema

Esse tipo de projeto surge a partir de uma demanda real. Um problema é identificado pela comunidade da escola (ou fora dela) e os alunos se engajam em solucioná-lo. Assim, os tutores e os estudantes identificam quais são as habilidades e competências necessárias para que cheguem até a solução deste problema.

  1. Construir algo

Os estudantes decidem que querem construir ou criar alguma coisa. Pode ser uma criação artística, algo funcional ou algo que resolva uma demanda que o grupo identifique. Assim como nos projetos que visam resolver problemas, os educadores passam a trabalhar os conteúdos e as habilidades necessárias para que essa construção/criação seja bem sucedida.

 

Durante o processo do projeto, os educadores e estudantes constroem um mapa visual das propostas, conteúdos e competências explorados, criando um desenho do caminho que o projeto vai tomando. A imagem abaixo mostra um desses mapas.

 

 

 

Assim, quando o projeto é finalizado, tanto educadores quanto estudantes podem ter uma dimensão de tudo o que foi estudado e explorado, transformando as experiências em reflexão.

Essa semana as turmas finalizaram a escolha de seus primeiros projetos do ano! Estamos muito animados com as possibilidades que foram encontradas. O mapa abaixo traz um pequeno resumo dos temas que surgiram. Se você achar que pode contribuir com algum desses temas, sua participação será muito bem vinda!!!

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