O que significa romper com o pilar do tempo

Explicar o projeto da Wish é bastante complexo. Um bom caminho que encontramos foi começar dizendo que nossa visão e prática rompe com os pilares mais conhecidos da educação: tempo, espaço e relações. Basicamente, isso significa que não seguimos os padrões mais associados à escola. Não temos aulas de 50 minutos ou uma grade horária definida. Não nos restringimos ao espaço da sala de aula (em tempos de não isolamento, a qualquer momento era possível ver crianças espalhadas pela escola toda em diversas atividades). Todos (crianças, adultos, professores, equipe de apoio) são vistos como seres cheios de conhecimento que podem ser acessados conforme a necessidade.

Hoje eu gostaria de focar no pilar do tempo.

Como disse, não temos aulas de 50 minutos ou uma grade horária definida. Esses talvez sejam os primeiros pontos de comparação com a escola tradicional. Prezamos por um tempo de qualidade, que permita aprofundamento, envolvimento, dedicação, relação. Essas são premissas já mais conhecidas na educação infantil, mas insistimos para que elas se estendam por todo o ensino fundamental.




A rotina existe e é bastante importante no nosso dia a dia. A lógica de organização dela é que muda tudo. Cada aluno desenvolve a sua própria rotina. Alguns horários são pré-estabelecidos pelos professores com uma variação de tempos (às vezes uma hora, às vezes 20 minutos, às vezes duas horas! A proposta é que define isso). Algumas tarefas são dadas pelos professores, mas sem horários pré-estabelecidos, podendo ser combinados conforme a agenda das pessoas (crianças e adultos) envolvidos.


COVID-19

O que significa o tempo neste período de aulas virtuais?

Já termos essa lógica de organização do tempo foi uma das nossas grandes vantagens na adaptação às aulas virtuais. Já há bastante tempo existe uma grande discussão sobre o tempo de exposição das crianças às telas. Como seria isso agora que não temos outra possibilidade senão a tela? Vários estudos e especialistas apareceram dizendo que não é produtivo deixar as crianças conectadas em videochamadas ou propostas online o dia todo (ou no período considerado de escola). Mas isso, na verdade, não está apenas relacionado à exposição das crianças à tela. Já não funcionava ficar o dia todo sentado na carteira, dentro da sala, olhando para o professor. E não é de hoje. Quem se lembra desse único fator ser determinante para o seu próprio aprendizado?? Muito provavelmente as lembranças do nosso tempo de escola nos levam para justamente o contrário. Para as vezes que passamos mais tempo no banheiro só para sair daquela aula, ou que em vez de ir ao banheiro fomos dar uma volta, ou de como trocávamos bilhetinhos com os colegas no meio da aula pois era a única forma de conversar.

Então, na Wish, nossa lógica de tempo não mudou quando nos digitalizamos. Reforçamos ainda mais a autonomia das crianças com propostas que precisavam fazer sozinhos (assincronamente) e focamos os momentos de encontro (síncronos) em tirar dúvidas, conversar sobre o que haviam feito e trabalhar justamente o que não podia ser trabalhado sozinho: as relações e as emoções, as maiores pautas desse período

Proporcionar esses tempos diversos requer autonomia e responsabilidade. Habilidades que são construídas aos poucos, passo a passo, a cada semana, a cada novo encontro. Habilidades que não são nem um pouco simples. Quantos de nós, adultos, conseguimos organizar as nossas agendas e cumprir com todas as expectativas que envolvem essa organização? O que isso diz sobre a nossa concepção de tempo? Quais são os tempos que você prioriza?

Marina Gadioli

Sócia-diretora, multi-tarefas e correspondente internacional

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