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Dificuldade de aprendizagem: quais podem ser os motivos?

Atualizado: 23 de mar. de 2023

De questões pontuais a cenários que podem, de fato, marcar toda a vida escolar de uma criança, as dificuldades de aprendizagem podem ter origens diversas e soluções ainda mais diversas.

Neste texto, falaremos um pouco dos mitos que podem existir ao redor deste tema e também buscaremos esclarecer quando se trata, de fato, de uma dificuldade que requer ajuda externa e quando é apenas um modo diferente de se aproximar e expressar os aprendizados.

O que é (e o que não é) dificuldade de aprendizagem?

A dificuldade de aprendizagem é a presença de algum impedimento para que ocorra o pleno desenvolvimento do estudante.

A barreira que impede o estudante de avançar em uma área específica (ou até em várias áreas ao mesmo tempo) pode ser de origens diversas. Questões cognitivas, sociais, emocionais podem estar por trás desses problemas.

É importante tratarmos aqui de um primeiro mito: o aluno que não aprende tem dificuldade de aprendizagem. Essa conclusão, apesar de parecer bastante óbvia, não é.

Na educação holística , por exemplo, entendemos que a dificuldade de aprendizagem só é "confirmada" depois que tentamos uma diversidade de abordagens, linguagens e maneiras para aquele aluno aprender.

Numa visão mais tradicional de educação, o que muitas vezes é taxado como dificuldade de aprendizagem não passa de uma forma diferente de aprender.

Na escola convencional, que privilegia a linguagem verbal escrita, que trata de "passar" conhecimento através (quase exclusivamente) da exposição de conceitos em forma de palestra, o estudante que aprende a partir de outras linguagens (a musical, a sinestésica, etc), que se engaja em atividades mão na massa mas dispersa numa palestra acaba se prejudicando.

Este estudante tem um modo de aprender não privilegiado pela escola e não uma dificuldade de aprendizagem. Ele tem uma dificuldade de adequação ao sistema.

Outro mito importante na definição de dificuldade de aprendizagem é a "régua" que é considerada e aceita como válida pela comunidade escolar.

Se a escola só valida o conhecimento explicitado via escrita, por exemplo, um estudante que se expresse melhor via artes ou na oralidade certamente passará por "dificuldades" de aprendizagem.

Ao passo que um estudante que simplesmente não consegue expressar nada via linguagem musical, ou linguagem do desenho gráfico não será considerado um estudante com problemas.

Quais são os sinais de dificuldade de aprendizagem?

Uma vez que olhamos para o que não é dificuldade de aprendizagem, podemos agora tratar de como reconhecer quando ela de fato está presente.

Ao eliminarmos os mitos, ou seja, uma vez que damos aos estudantes plenas oportunidades de variar a forma de se aproximar de um conteúdo e também as linguagens para expressar o que aprendeu, ainda observamos alguns estudantes que seguem com barreiras para avançar.

Nesse momento, entendemos que é necessária uma investigação mais profunda sobre o que pode estar acontecendo.

Os sinais que levam a essa investigação são:

  • estudante com dificuldade em variados temas e disciplinas (não somente algo pontual);

  • estudante que passa a demonstrar desinteresse em assuntos e formatos que antes o engajavam;

  • estudante que passa a se incomodar de perceber os colegas avançando enquanto ele segue com as barreiras;

  • estudante que testou várias formas de acessar um conhecimento e, ainda assim, não demonstra compreensão.

Uma vez iniciada essa investigação, trabalhamos com várias possibilidades.

  1. Questões sociais

Houve alguma mudança na relação essa criança com seu grupo? Alguma alteração nas relações / configurações da casa / família? Existe algum tipo de valorização/desvalorização do assunto/tema que ela apresenta dificuldade na sua cultura, na sociedade macro ou até especificamente na sua comunidade escolar?

  1. Questões emocionais

O estudante apresenta questões importantes relacionadas à autoestima? Como ele lida com as frustrações? Ao se perceber frente a um desafio com ele tende a reagir? Uma vez que o estudante falha numa tarefa ou numa tentativa, ele tenta novamente ou evita ter que lidar com a questão novamente? No geral, como o estudante se relaciona com o aprender?

  1. Questões cognitivas

O estudante traz questões específicas de uma área? Traz dificuldade com leitura e escrita? Apresenta barreiras com matemática? Sente dificuldade quando precisa organizar, classificar, processar informação?

Várias dessas questões podem começar a ser respondidas pela escola mas, ao se perceber que essas questões realmente estão lá, é importante somar esforços de outros profissionais (além da família, é claro) nessa investigação.

A depender da observação, conversas com psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, entre outros, podem auxiliar no entendimento das questões envolvidas na dificuldade.

Muitas vezes uma pequena ajuda pode fazer com que a criança resolva um entrave específico e se desenvolva de maneira muito mais fluida, outras vezes é preciso um acompanhamento mais intenso ou mais longo para que as barreiras possam ser quebradas.

O importante é que esse seja um trabalho que envolva todas as pessoas que se relacionam com esse estudante - a família, os profissionais específicos e os educadores.

Com esse olhar holístico sobre o estudante, olhar que busca as camadas cognitivas, emocionais e sociais de suas dificuldades, ele certamente encontrará caminhos para se desenvolver e se superar.

Quando a gente atrapalha tentando ajudar…

O processo de aprendizagem não é um processo linear e, muitas vezes, é difícil mesmo. Há desafios a serem superados, tentativas e erros antes de se chegar a algum lugar, esforço e dedicação em muitos casos.

Tendo isso em mente, há momentos em que o estudante não está com "dificuldade de aprendizagem", ele só está passando pelo processo normal de crescimento que traz novas aprendizagens.

Esse processo, em grande parte das vezes, não precisa de especialistas e diagnósticos. Precisa de:

  • Tempo: para poder processar o que de novo está surgindo;

  • Espaço: para tirar suas próprias conclusões, para poder testar e errar e testar de novo;

  • Respeito: para que sua trajetória aconteça de maneira fluida, conforme o estudante percebe fazer sentido;

  • Confiança: para que o estudante acredite cada vez mais na sua própria capacidade de superar desafios e obstáculos, para que ele ganhe em autoestima;

  • Apoio: para que a resiliência se instale e o estudante saiba que conseguir, não conseguir, falhar, tentar de novo são apenas passos de um processo maior que se chama aprender e que fazer de outro jeito ou em outro tempo, não faz dele menor.

Há um educador que admiramos muito chamado Yaccov Hecht que fala das áreas de crescimento. Diz ele que faz parte do processo o estudante passar um tempo no "limbo" do conhecimento até que descubra suas áreas de crescimento.

É importante lembrar que essas áreas nem sempre coincidem com o que é socialmente valorizado - ele pode encontrar sua área de força nos esportes enquanto a família valoriza o pensamento intelectual das exatas, ou se apaixonar pelo cultivo de plantas quando a família sonha que ele seja escritor.

Trazemos essas reflexões para que possamos tratar de dificuldade de aprendizagem quando elas são realmente dificuldades de aprendizagem e quando intervenções podem ser de grande ajuda e fazer grande diferença na vida dos estudantes.

Quando os estudantes têm um jeito diferente de aprender, o que precisamos fazer é retirar os rótulos, acolher e proporcionar espaços de educação que saibam lidar com a singularidade do estudante.

Para conhecer mais sobre o formato que olha para o indivíduo como ser completo e complexo, conheça a educação holística .


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