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Matemática - muito além da tabuada

Atualizado: 7 de jun. de 2023

Matemática é um assunto bastante assustador para muitos estudantes (e para algumas famílias também).

A ideia de que as pessoas ou nascem com esse "dom" ou vão ser alheias ao raciocínio lógico para o resto da vida é antiga e ainda assombra a vida dos que se aventuram pelos números.

Apesar do que o senso comum pode achar, uma matemática que faça sentido para os desafios que a vida nos impõe hoje tem muito mais a ver com hipóteses e raciocínio frente aos problemas do que com "fazer conta".

Uma "nova" matemática

Aqui na Wish utilizamos, entre outras referências, o trabalho da pesquisadora da Universidade de Stanford, Jo Boaler, como base para o estudo da matemática.

De acordo com ela, quando a matemática é apresentada para os estudantes de forma fixa, como algo que tem somente uma resposta certa e muitas erradas (como estamos acostumados a ver no contexto escolar), os estudantes não querem se aproximar dela.

Já ao perceberem que existem diversas possibilidades de raciocínio e diferentes caminhos para chegar em uma resposta, os estudantes se permitem testar, arriscar e evoluir.

Trazemos abaixo alguns exemplos do cotidiano da Wish onde a matemática foi trabalhada a partir dessa nova concepção.

Educação Financeira - Matemática e Sustentabilidade na prática - 3º e 4º ano Fundamental 1


Como parte do projeto da turma de 3º e 4º ano da Wish, os estudantes ficaram responsáveis por controlar o orçamento de materiais utilizados pelo seu grupo.

A partir do trabalho de levantamento de necessidades, pesquisa de preços e ajuste de orçamento, surgiram muitas "demandas matemáticas" como, por exemplo, descobrir qual seria o orçamento de canetas para a turma, sendo que tinham o valor de uma única caneta.

Assim, em vez de ocuparem seu tempo mecanicamente fazendo uma folha inteira de contas de multiplicação, os estudantes discutiram em seus grupos como fariam para chegar no valor que precisavam encontrar e concluíram, então, que seria necessário utilizar a multiplicação.

Com essa proposta, os estudantes tiveram a oportunidade de trabalhar as operações matemáticas necessárias para o controle de um orçamento na prática, além de aprofundar suas noções de uso adequado dos materiais e da preservação dos recursos, ampliando seu senso de responsabilidade.

Estudantes fazem orçamento de materiais que serão necessários para o projeto.

Matemática: promovendo estratégias - 1º e 2º ano Fundamental 1

Ao terminar mais uma rodada do English Quest (jogo que a turma de Year 1 e 2 usa para praticar a língua inglesa) os estudantes foram convidados a conferir e somar suas pontuações.

Num determinado momento se depararam com a soma de 150 + 150.

Não demorou e vários deles falaram 300.

A professora, então, perguntou sobre como chegaram a esse resultado.

Um falou: "Somei 100+100, depois 50+50, depois 200 + 100. 300!!"

O outro: "Tirei o zero, somei 15 + 15 e depois coloquei o zero. 300!!"

E ainda mais um que disse: "Somei 50 + 50 + 50 + 50…….. 300!!"

Muito mais do que chegar a resultados pela construção da soma, nosso objetivo com uma matemática significativa é que ela dê subsídios para as crianças raciocinarem quando precisarem dessa matemática.

Diversos caminhos para chegar ao mesmo resultado

Discutindo possibilidades matemáticas - Ensino Médio

Principalmente quando chegamos no Ensino Médio, visões equivocadas de que matemática é sobre fazer enormes contas de cabeça e sobre memorizar diversas fórmulas ficam ainda mais evidentes, perpetuando o pavor que muitos estudantes têm dessa disciplina.

Por aqui, cada vez mais buscamos olhar para a matemática com uma linguagem, um jeito de entender e explicar coisas no mundo.

Nessa premissa, umas das propostas de atividades de matemática que mais gostamos de fazer são as conversas matemáticas - math talks.

Durante os Math Talks, os estudantes discutem as possibilidades de resolução para uma questão.

Muito mais do que resultados certos ou errados, eles conversam sobre as diversas possibilidades encontradas para chegar ao resultado, sobre como lógicas diferentes podem ser complementares, trazer diferentes insights e colaborar para maneiras mais eficientes e inteligentes de resolução de problemas reais.

Nessa imagem, por exemplo, estudantes de Ensino Médio discutem, em seu tempo livre (!!), sobre suas hipóteses para um problema levantado pela professora de matemática.

Saber a tabuada de cor aos 8 anos, a fórmula de Bhaskara aos 14, e não usar calculadora para fazer contas não é saber matemática. Matemática é muito mais do que isso!

É entender o raciocínio lógico e as múltiplas possibilidades de resposta para uma mesma pergunta.

É a capacidade de resolução de problemas.

É errar e poder compreender porque errou e como seguir a partir dali.

Ajudar os estudantes a perceberem o raciocínio por trás das contas é fundamental para que eles possam continuar usando e entendendo a matemática de forma significativa para o resto da vida, e não acontecer isso aqui:


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